EM BUSCA DA RELÍQUIA DE SANTA CATARINA

(Monsenhor Angelos)

Como escrevemos no Boletim do mês passado, tudo começou no Palácio do Governo, em Florianópolis, no dia 29 de maio passado, quando o Arcebispo de Buenos Aires Monsenhor Genádios e sua comitiva foram convidados de nosso Governador Esperidião Amin. Nesse encontro foi pedido em nome do nosso Arcebispo Genádios pelo Monsenhor Ângelo Kontaxis.

Durante nosso cordial encontro, o Sr Governador e seus assistentes fizeram uma pergunta ao nosso Arcebispo Gennadios: - Seria possível que nossa Igreja providenciasse para trazer uma relíquia de Santa Catarina de Alexandria do Monte Sinai, no Egito, onde seus restos mortais estão guardados no Mosteiro Grego Ortodoxo de Monte Sinai?

O Arcebispo Gennadios aceitou a idéia e o Governador ficou muito entusiasmado. Então o Arcebispo Gennadios pediu ao Senhor Governador que escrevesse uma carta ao nosso Patriarca de Constantinopla Bartolomeus, pedindo para que escrevessem ao Mosteiro de Santa Catarina e seu Arcebispo Damianos para que cedessem uma relíquia de Santa Catarina ao Estado. O Senhor Governador imediatamente aceitou e pediu ao monsenhor Angelos que ajudasse seus assistentes a escreverem a carta (Daqui por diante o Monsenhor Angelos foi responsável pelo processo das correspondências). No dia seguinte entreguei ao Sr Nelson Pedrini, mão direita do Governador, o tipo de carta que eles deveriam escrever para nosso Arcebispos - e que ele a remetesse ao Patriarcado.

(Como podem ver, tudo isso aconteceu entre o Governo de Santa Catarina e o Monsenhor Angelos, bem documentado com cartas, documento e fotos).

No dia 13 de Junho o Governador entregou-me a carta para o Arcebispo Gennadios, Imediatamente providenciei a tradução em grego e enviei-a ao Arcebispo.

Desde o dia 16 que mandei as cartas até meados de setembro não tivemos nenhuma resposta, e fui obrigado a mandar uma carta ao Senhor Governador informando-o o que tinha acontecido até aquela data.

Em resposta o Senhor Governador enviou-me outra carta agradecendo pelas providências adoradas. ( Veja Carta página 03)

No dia 29 de setembro fui convocado ao Palácio pelo cerimonial e falei com os oficiais responsáveis pelas festas do Estado. Eles estavam preparando as festividades do dia de Santa Catarina, 25 de Novembro, e queriam saber se existia possibilidade da relíquia,. já estar em Florianópolis neste dia.

No dia seguinte telefonei ao nosso Arcebispo Gennadios em Buenos Aires para saber se tinha alguma novidade. Ele informou que, naquele mesmo dia tinha falado com o Arcebispo de Monte Sinai, Monsenhor Damianos, e explicou o que o Governo queria, e pediu-me que telefonasse imediatamente ao Monte Sinai para falar com o Arcebispo Damianos, e combinar minha ida ao Egito para receber a relíquia, autorizando-me a viagem.

Imediatamente telefonei ao Monte Sinai e falei com o Arcebispo Damianos; foi uma longa explicação, de 1 hora e 15 minutos; depois de aceitas minhas explicações, o Arcebispo Damianos pediu-me que viajasse até o Mosteiro para receber as relíquias.

No dia 3 de Outubro fui ver o Senhor Governador e avisá-lo sobre os bons resultados feitos naquele dia. Fui acompanhado pelo Senhor Diamantaras, e fomos recebidos com entusiasmo pelas boas notícias. Entreguei ao Senhor Governador carta preparada com certas condições da viagem. O Senhor Governador, entusiasmado, deu-me 200 dólares, um pequeno presente pessoal para o Mosteiro, e mandou que seus auxiliares preparassem alguns presentes para o Arcebispo. Mandou também preparar uma carta credencial em meu nome para o Mosteiro de Santa Catarina ( Veja Carta página 05) Ao mesmo tempo os assistentes me entregaram uma imagem de Cristo gravada em madeira, de uma artista gaúcho, uma bandeira de Santa Catarina e mapas do Brasil e de Santa Catarina, para melhor poder mostrar e explicar aos Santos Padres do Mosteiro sobre o Brasil (que muitos ignoravam)

No mesmo dia a Assessoria de Relações Internacionais do Estado mandou um fax para a embaixada do Brasil em Cairo, pedindo que me assistissem na chegada em Cairo e o que mais precisasse.

No dia 10 o palácio me entregou a passagem para o Egito, E ASSIM COMEÇOU A ODISSÉIA ... todos do palácio desejaram-me boa viagem e êxito.

No dia 12 de Outubro de 2000, era do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, acompanhado do Dr. Savas A. Pitsica e do Sr. Siríaco Diamantaras, as 05:30 horas da manha, fomos até o Aeroporto Internacional de Florianópolis, onde embarquei para São Paulo - em São Paulo fui saudado pelo Vigário Geral do Brasil Monsenhor Nectários e pelo Padre Basilio Lima, desejando-me boa viagem. De São Paulo para Frankfurt , na Alemanha, e de lá para Cairo, no Egito, viagem de quase dois dias. Monsenhor Nectários em nome do Arcebispo Gennadios me entregou uma Carta de credenciais para o Arcebispo de Monte Sinai Damianos. ( Veja Carta página 06)

Em Cairo, no Egito, fui recebido pelo pessoal da Embaixada do Brasil, com uma carta pessoal de boas vindas do Embaixador Elmo Sr. Celso Marcos de Souza, Embaixador do Brasil no Egito. Descansamos um pouco e de lá com o carro do Arcebispo de Monte Sinai começamos a corrida para o Monte Sinai. Foram mais de seis horas e meia de viagem.

Primeira vista: atravessamos o Nilo, mais de 130 quilômetros, depois atravessamos o Canal de Suez (O Canal de Suez separa o Egito da parte da África com a parte Asiática). Do canal até o Monte Sinai são mais de 340 quilômetros - muitos deles atravessados ao lado do Mar Morto, estradas muito boas e largas., mas tudo deserto, exceto um oásis alguns quilômetros antes do mosteiro onde paramos um pouco para descansar e beber água fresca.

Chegamos ao Mosteiro depois das 21:30 horas. Tudo escuro, tudo em silêncio absoluto - a primeira impressão é a da Santidade do lugar. O mosteiro rodeado de montanhas enormes. Senti-me perto de Deus com o silencio e as estrelas brilhando a céu aberto. Fui conduzido a hospedaria dos visitantes (o mosteiro fecha as 21:00 horas) fora das muralhas do mosteiro. Fiz uma ligeira refeição e fui direto para a cama , cansado, sem dormir há mais de 48 horas, Porém, super feliz, pois cheguei com a graça de Deus e sem nenhum problema.

Sábado de Madrugada acordaram-me (04:30 horas) para assistir a missa até as 08:00 horas. Depois da missa fui apresentado e recebido calorosamente, de braços abertos, pelo Arcebispo do Monte Sinai Damianos, e os padres do Mosteiro (uns 20, mais ou menos); o mosteiro tem 25 padres, Monges e principiantes.

Depois do café fomos até o escritório do Arcebispo, onde apresentei minhas credenciais e entreguei os presentes do Governador e os meus pessoais, além de 500 dólares: duzentos do Sr Governador e 300 das Senhoras do Lanche de São Nicolau. Da parte do Governo foram uma cabeça de Cristo esculpido em tronco de arvore, de um artista de Porto Alegre, uma bandeira do Estado de Santa Catarina e dois mapas: um do Brasil e um de Santa Catarina. Meus, foram Árvore de Pedras do Brasil. Um relógio de Pedras.

Foram dois encontros com o Arcebispo e a Assembléia dos padres, onde expliquei as razões que o Governo estava pedindo a relíquia, mostrei os mapas e expliquei que o único Estado do mundo que tem o nome da Santa Catarina é o nosso. Foi uma batalha bem difícil para convencer todos a honra que é para nosso Estado ter a relíquia da Santa. Nunca antes tinha acontecido de uma entidade política e não religiosa pedir um pedaço da Santa para sair do mosteiro.

O Arcebispo Damianos desde o princípio era a favor, e devagar, devagar, conseguimos que os Santos Padres aceitassem a entrega.

Fui obrigado a assinar um documento que o Estado, num futuro próximo, providenciaria uma Capela em nome de Santa Catarina, para que sejam transportados seus restos mortais. Até lá a relíquia ficará na responsabilidade da Igreja e da Comunidade Helênica de Florianópolis. Em nossa Igreja de São Nicolau o Arcebispo Damiano me entregou uma carta escrita à mão por ele, para o Senhor Governador sobre as condições da entrega da Santa Relíquia. ( Veja Carta - em Grego - página 08) ou ( Veja tradução da Carta - página 09)

Segunda Feira dia 16, o Arcebispo com alguns padres levaram-me ao topo da Montanha de Moisés (uns 600 degraus acima do Mosteiro), mais ou menos próximo do lugar onde Moisés recebeu os 10 mandamentos há 4000 anos atras. Um enorme pedaço de pedra foi-me doado pelo Arcebispo como uma testemunha viva do elo entre o passado e o presente. De tarde visitamos dois mosteiros de freiras de Monte Sinai, e outros lugares sagrados.

Terça, dia 17 de Outubro, alugamos um carro e começamos a volta para Cairo; era um dia de sol tão forte que no meio daquele deserto mal se podia respirar. Passamos mais de 30 barreiras do exército Egípcio (por causa dos distúrbios das vizinhas Palestina-Israel) e pela conferência dos países árabes em Cairo.

No dia 18 fui recebido pelo embaixador do Brasil em Cairo Exmo Sr. Celso Marcos de Souza, e mostrei-lhe a relíquia Santa. De tarde saí pela primeira vez no mercado de Cairo para algumas compras, mas principalmente para comprar uma caixa especial, fina e dourada para colocar a relíquia.

No dia 19 deixei o Cairo de volta ao Brasil, onde cheguei no dia seguinte em São Paulo. De novo fui recebido pelo Vigário Monsenhor Nectários. As 11:15 horas cheguei em Florianópolis; representantes do Governador e um pequeno grupo de freis Gregos me esperavam no aeroporto, e fomos direto para a Igreja de São Nicolau, onde as relíquias foram apresentadas aos participantes.

No dia 27 fui recebido oficialmente pelo Governador no seu Gabinete, onde recebeu-me de braços abertos e com um beijo, chamando-me de Leão. Apresentei a Santa Ícone e o resto dos meus presentes e convidei o Sr. Governador, a visitar a nossa Igreja para ver a relíquia.

Na Segunda feira dia 30 as 14:30 horas uma pequena cerimônia foi oferecida; com a Igreja repleta de fiéis; incluindo o Sr. Governador, sua mãe, o Sr. Desembargador Dr. Francisco Xavier Medeiros Vieira, Presidente do Tribunal de Justiça. Mais uma vez agradeci ao Sr. Governador de confiar-me uma tarefa tão grandiosa, e pedi que a Santa Megalomártir Catarina proteja-o, proteja sua família e todos os fiéis.
Em poucas palavras o Sr. Governador mais uma vez agradeceu-me pela coragem de ter assumido tal missão. Em seguida ele disse que trouxe com ele o Sr. Presidente do Tribunal porque eles resolveram que o Ministério da Justiça vai construir no Palácio da Justiça a Capela que os Santos Padres do Mosteiro pediram para depositar as relíquias.

Texto:(Monsenhor Angelos)
"KALIMERA Florianópolis"
Ano 4 - nº40 - Novembro de 2000